Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Associação Agrícola da Ilha das Flores



Quinta-feira, 24.04.14

Pastagens – Considerações e rentabilização de excedentes para produção de forragens

 

As pastagens permanentes açorianas foram semeadas, em geral há mais de 20 anos, enquanto as pastagens temporárias são sujeitas a sementeiras regulares e mantidas alguns anos, mas estas necessitam de ser renovadas e novamente semeadas quando o nível de produtividade é reduzido, ou apresentam um elevado nível de infestação ou ainda quando é realizada rotação de culturas.

As pastagens de média e elevada altitude são maioritariamente compostas por espécies espontâneas com uma composição à base de gramíneas espontâneas, podendo apresentar algumas leguminosas, e plantas de outros géneros, cujo potencial produtivo é reduzido em comparação com as gramíneas utilizadas em pastagens semeadas de baixa altitude. As pastagens temporárias são normalmente semeadas com espécies mais produtivas, geralmente, Lolium. mutilflorum, Lolium perenne e o Bromus Catharticus, incluindo trevos (Trifolium repens e Trifolium pratense). A disparidade desta produtividade é traduzida pelo fato das espécies encontradas nas pastagens permanentes apresentarem uma rusticidade maior, uma boa adaptação às condições edafo-climáticas das zonas onde estão instaladas, verificando-se uma menor produtividade do que as pastagens de baixa altitude, onde as condições edafo-climáticas são mais propícias ao desenvolvimento de espécies mais produtivas. Com o aumento do uso de adubos e do pastoreio, verificou-se que as pastagens permanentes de zonas de média altitude tornaram-se um pouco mais produtivas.

Nos Açores, as pastagens são exploradas principalmente sob a forma de pastoreio direto e rotacional, mas nas alturas de escassez de erva, mais propriamente nos verões e outonos secos, e invernos, recorre-se à alimentação dos animais com silagem de erva ou milho. A erva ensilada provém de cortes realizados na época de maior crescimento de erva, que se verifica na primavera ou no início de verão, nas zonas mais altas. O excesso de produção de erva resulta de um conjunto de fatores climáticos favoráveis ao crescimento vegetativo, tais como: aumento do período de luz, da temperatura e da ocorrência de precipitação adequada, e a introdução de adubos.

Na região consegue-se produzir pastagem todo o ano, verificando-se algumas flutuações normais nesta produção, em certas épocas, determinadas pelas condições edafo-climáticas, como também pela altitude e o declive dos terrenos. O período de seca verifica-se por norma nos litorais das ilhas, em zonas baixas, no verão (julho a setembro), enquanto o excesso de humidade e baixa luminosidade ocorre no inverno, verificando-se assim um condicionamento negativo no crescimento vegetativo nesses períodos.

Nas pastagens de média altitude, verificam-se condições climáticas favoráveis para o crescimento contínuo das pastagens durante todo o ano. Não ocorre um défice hídrico no verão, apenas uma descida das temperaturas no inverno, aliadas a uma menor luminosidade, que faz diminuir o ritmo de crescimento vegetativo. Nas pastagens de elevada altitude, as condições edafo-climáticas atingem extremos, aliando-se a declives acentuados, limitando muito a produção de erva. Verificando-se nessas zonas vegetação espontânea de muita baixa produtividade e baixo valor nutritivo, sendo utilizadas para sistemas de produção extensivos, normalmente bovinos de carne.

A fertilização racional das pastagens promove o enriquecimento nutritivo e simultaneamente ocorre a produção de maiores quantidades de massas verdes. A aplicação de azoto deve ser efetuada após o pastoreio que antecede o corte, recomendando-se que uma parte seja, em casos de doses mais elevadas, seja aplicada no início de rebentamento da primavera. O fósforo e o potássio devem ser aplicados antes do início dos crescimentos da primavera. Para pastagens naturais permanentes recomenda-se a seguinte adubação de manutenção, quando a produção esperada se encontra entre 2000 a 8000 kg/ha: 20 a 50 kg/ha de azoto, 30 a 120 kg/ha de fósforo e 40 a 160 kg/ha de potássio. Quando se trata de pastagens temporárias com consociações de gramíneas com leguminosas, e uma produção entre 2000 e 8000 kg/há recomenda-se uma adubação de instalação de 20 a 40 kg/ha de azoto, 30 a 140 kg/ha de fósforo e 40 a 180 kg/ha de potássio. A adubação de manutenção recomendada igual à da pastagem natural permanente.

O azoto é fundamental para o desenvolvimento inicial das plantas, afilhamento, encanamento, diminuição do aborto floral e maturação do grão. O excesso de azoto aumenta os riscos de acama e suscetibilidade ao ataque de doenças e parasitas, bem como poderá desequilibrar a proporção entre gramíneas e leguminosas (favorecendo as gramíneas em detrimento das leguminosas). O fósforo tem um papel importante numa fase inicial, intervindo principalmente no desenvolvimento radicular e no afilhamento. As gramíneas extraem melhor o fósforo do solo devido às características do seu sistema radicular. O potássio minimiza os efeitos da deficiência hídrica e aumenta a resistência das plantas ao frio, acama e várias doenças. Em excesso poderá criar desequilíbrios em cálcio e magnésio, podendo afetar a nutrição dos animais. O cálcio e o magnésio são elementos de grande importância na qualidade nutritiva da pastagem de grande importância, sendo as leguminosas mais exigentes em cálcio, elemento necessário para afixação do azoto. Assim quanto menor for a fertilidade do solo e maior for a produção esperada, maior deverá ser a adubação. Contudo, as adubações devem ter como base os resultados das análises de solo, efetuadas precocemente, bem como incluir o valor da produção esperada, que é condicionado pelas condições edafo-climáticas da região, e ainda a prática cultural utilizada (entre outros fatores, variedades, preparação do solo e maneio da cultura, particularmente no caso de prados e pastagens permanentes).

A conservação da erva é o principal método para se reduzir a sazonalidade. E a data ideal para se efetuar o corte é determinada pela qualidade que se pretende obter. Assim, é preciso saber como a produção e a qualidade das forragens são afetadas pela fisiologia das plantas em desenvolvimento e pelo maneio das pastagens na primavera. O período de crescimento por corte tem influência na produção de matéria seca, digestibilidade e concentração azotada na forragem, e ainda na qualidade posterior da pastagem e no seu novo crescimento.

Na primavera, fechar cedo a pastagem para se obter um bom crescimento antes do espigamento é uma boa forma de se obter silagem de qualidade. Fechar a pastagem tarde na primavera pode resultar num menor volume de erva para ensilar e pode por em causa a oportunidade de se obter uma silagem de boa qualidade.

A qualidade da forragem quase sempre declina à medida que avança a maturação ou quando se inicia o período reprodutivo. Sendo assim, a escolha ideal para se efetuar o corte da erva deverá ser em uma fase que as plantas não sejam demasiado jovens, nem estejam em estados avançados de maturação, pois a sua qualidade seria muito inferior. Desta forma, a data ótima de corte será em função do valor nutritivo da erva, principalmente do estado fenológico, e não do período de crescimento da planta. Pois é neste momento que a planta contém o máximo de açúcares solúveis e o seu valor nutritivo ainda não decresceu significativamente, possibilitando a obtenção de uma forragem bastante rica e equilibrada com alta produção.

Em teoria, o corte das ervas deve corresponder ao estado fenológico em que, no caso das gramíneas se verifica o início do espigamento, e nas leguminosas quando há formação do botão floral. Contudo, há vários fatores que desviam esta correlação, no âmbito de obter maior aproveitamento produtivo em vez do valor nutritivo, nomeadamente, pouco conhecimento por parte dos produtores, condições climáticas adversas, indisponibilidade de maquinaria, desequilíbrio entre o estado vegetativo das gramíneas e das leguminosas, entre outros.

 

A hora do dia em que a forragem é cortada também influencia o teor de matéria seca e a concentração em hidratos de carbono. Pois, forragens colhidas pela manhã apresentam maiores teores de humidade e menores teores de hidratos de carbono solúveis, do que as forragens colhidas durante a tarde.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Associação Agrícola da Ilha das Flores às 15:00



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Metereologia Lajes das Flores


Metereologia - Santa Cruz das Flores


Contador de Visitas



Pesquisar

Pesquisar no Blog